Após avião sumir do radar, militares europeus temem colapso russo; paradeiro de Putin é questionado

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Russian President Vladimir Putin meets with war correspondents in Moscow on June 13, 2023. (Photo by Gavriil GRIGOROV / SPUTNIK / AFP)

Militares europeus que fazem parte de operações internacionais na ONU admitiram neste sábado (24) que um cenário de uma guerra civil na Rússia não pode estar descartado e que, nesse caso, o temor é de uma desestabilização com um impacto mundial.

O motivo: existem, além do grupo Wagner, cerca de 300 milícias num país de proporções continentais e detentora de ogivas nucleares.

De acordo com fontes de alta patente que conversaram com o UOL sob a condição de anonimato, Vladimir Putin conseguiu se manter no poder por anos costurando acordos, pactos e contratos sigilosos com diferentes grupos armados, muitos dos quais com “caráter mafioso”.

O temor dos militares europeus é de que, se a milícia Wagner mostrar que uma parcela do poder é frágil, outros grupos podem buscar o mesmo caminho.

A isso tudo se soma o fato de que, sendo uma potência nuclear, a garantia de acesso às milhares de ogivas podem começar a ser alvo de barganhas e ameaças.

“Não interessa para a Europa o colapso da Rússia”, admitiu um militar, que aponta para o risco de que uma parcela dessa desestabilização tenha um impacto no continente europeu, no fornecimento de energia e até numa disputa de poder mais generalizada em repúblicas na órbita de Moscou.

Para críticos, um dos temores de insistir em um caminho de conflito armado com a Rússia era justamente inaugurar uma nova etapa no cenário internacional de intensa incerteza.

Paradeiro de Putin

Russian President Vladimir Putin meets with war correspondents in Moscow on June 13, 2023. (Photo by Gavriil GRIGOROV / SPUTNIK / AFP)

A mesma incerteza parece ser ampliada diante de especulações sobre o paradeiro de Putin. Informações do site Flight Radar apontam que o avião no qual o presidente viaja teria decolado do aeroporto de Moscou às 14h16 deste sábado.

O vôo chegou na região de Tver, no noroeste de Moscou e onde Putin mantém uma de suas residências. De lá, porém, os registros sobre o avião desapareceram.

O porta-voz do governo russo, porém, afirmou nesta manhã que Putin está trabalhando em seu escritório, no Kremlin.

Já diplomatas estrangeiros destacam como o cenário revela uma contradição do próprio lema do governo Putin. Ele venceu eleições com a promessa de trazer de volta aos russos a estabilidade. Para toda uma geração que atravessou o caos dos anos 90, depois do colapso da União Soviética, seu discurso era capaz de seduzir.

Mas a resposta nos últimos anos seria de que, além de estabilidade, a grandeza da Rússia seria reconquistada.

E, talvez ela, tenha sido o motivo da ameaça de um colapso.

Texto: Jamil Chade – colunista do UOL*

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