Risco-Brasil tem alta em 2021

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O Risco-Brasil teve alta em 2021. Quanto mais alta a pontuação, maior a percepção de risco econômico. Entenda!

Em 1990, o J.P. Morgan, conhecido banco americano, criou uma metodologia chamada Risco-País. Esse mecanismo foi desenvolvido com o objetivo de avaliar risco de investimento em países com grande potencial econômico, mas com níveis de desenvolvimento medianos.

Independentemente dos seus objetivos financeiros e do interesse em investir em ativos brasileiros ou em moeda estrangeira, por exemplo, é fundamental entender o que é o Risco-Brasil, como ele é calculado e de que forma ele afeta a economia e os investimentos.

O que é o Risco-Brasil?

O Risco-Brasil é um indicador que mostra o nível de risco de se investir no país, ele é usado por investidores estrangeiros para qualificar a viabilidade de aplicar recursos financeiros no Brasil. Neste sentido, quanto mais alto o índice, maior o risco e, consequentemente, menor o grau de confiança em relação ao país.

Esse indicador leva em consideração alguns fatores, como: dívida pública; comportamentos políticos; oscilações do mercado e das taxas de juros; questões diplomáticas; e, eventualmente, desastres naturais que possam afetar o mercado e os investimentos no país.

Todos esses fatores podem afetar os ativos estrangeiros alocados no país, por isso, são avaliados os riscos e a viabilidade de manter os recursos no Brasil. Quando o Risco-Brasil está alto, a confiança dos investidores fica fragilizada e, normalmente, o governo adota estratégias, como a oferta de juros maiores, como forma de compensar o risco.

Como o Risco-Brasil é calculado?

O Risco-Brasil é calculado a partir de uma série de índices, entre eles, os principais são o EMBI+Br, o Rating e o CDS.

EMBI+Br

O Emerging Markets Bond Index Plus, conhecido pela sigla EMBI+Br, pode ser traduzido livremente como Índice de Títulos da Dívida de Mercados Emergentes. Ele usa como base os títulos da dívida pública, rentabilidade e rendimentos.

Os dados do EMBI+Br são avaliados a partir de um quadro comparativo com os dados do tesouro americano. Assim, a diferença da rentabilidade entre os títulos brasileiros e os americanos indica o risco do Brasil não honrar com os seus compromissos.

Além de avaliar a credibilidade do Brasil no pagamento de dívidas, o EMBI+Br é aplicado no mercado para definir preços dos ativos. Informações atualizadas estão disponíveis para consulta na plataforma Ipeadata.

Rating

Outro índice utilizado como base para definir o Risco-Brasil é o Rating. Ele é definido por agências especializadas e analisa risco de emissores de crédito. Utilizando notas que vão de AAA a C/D, quanto mais alta a nota, mais baixo o risco de operar no país.

CDS

Por fim, o Credit Default Swap, ou simplesmente CDS, é uma espécie de seguro contra calote em operações de crédito. Trata-se de um contrato firmado entre uma seguradora e investidores internacionais. Assim, em caso de inadimplência, o investidor recebe uma compensação sobre as perdas.

Este contrato é usado como referência para  o Risco-Brasil, partindo da análise da quantidade de investidores que contrataram a proteção. Quanto mais investidores contratam CDS, maior é o sinal de alerta quanto à preocupação de risco de calotes.

Quais são as consequências do aumento do Risco-Brasil em 2021?

Como você pode ver, quanto maior a pontuação do índice do Risco-Brasil, mais alta é a percepção dos investidores quanto aos riscos econômicos. Em setembro de 2021, o índice fechou com 204 pontos, um crescimento de 17,9%. Em outubro, alcançou 220 pontos. É importante destacar que, no início do ano, esse índice girava em torno de 150 pontos.

Com o aumento da percepção de risco por parte dos investidores internacionais, a economia e as empresas brasileiras são afetadas de forma ampla. As incertezas econômicas e o risco de o governo furar o teto de gastos, o que pode ameaçar a trajetória da dívida pública, são fatores que têm contribuído para aumentar o nível de preocupação por parte dos investidores.

Somado a isso, com as eleições presidenciais em 2022 e o aumento das tensões políticas e incertezas com relação ao caminho que será seguido pelo próximo presidente, acabam aumentando a preocupação e reduzindo o interesse de exposição ao risco por parte dos investidores internacionais.

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