Após reação da China a Trump, Bolsas globais têm forte queda; no Brasil, dólar sobe a R$ 5,83

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Painel eletrônico da Bolsa de Tóquio — Foto: Bloomberg

As Bolsas globais sofrem um novo pregão de fortes quedas nesta sexta-feira (4) em reação ao acirramento da guerra comercial. No Brasil, o dólar encerrou a sexta-feira em valorização de 3,68%, aos R$ 5,83, na maior valorização diária em três anos. Na Ásia, os pregões fecharam em queda pelo segundo dia consecutivo, após o presidente americano ter anunciado o que chamou de “tarifas recíprocas” contra exportações de todos os países do mundo.

No fim da sexta-feira, pelo horário local, após o fechamento da maior parte das bolsas asiáticas, o governo chinês anunciou sua retaliação: vai impor tarifa de 34% sobre os produtos americanos, numa estratégia olho no olho. Após a decisão de Pequim, as bolsas da Europa fecharam em queda firme.

No Brasil, o Ibovespa encerrou o dia em queda de 2,96%, aos 127.256 pontos:
— A escalada das disputas comerciais entre as duas maiores economias do mundo adiciona mais incerteza ao cenário internacional, afetando os mercados emergentes — afirma Leandro Ormond, analista da Aware Investments, que viu o receio global de uma possível recessão também contaminar os ativos brasileiros.

Em Frankfurt, na Alemanha, o índice DAX caiu 4,95%, e em Milão, na Itália, a queda foi de 6,53%.

As ações de bancos europeus despencaram: Santander desvalorizou 8,77%, Deutsche Bank 9,77%, o espanhol BBVA perdeu 10,54% e o italiano UniCredit cedeu 9,58%.

As cotações do petróleo também fecharam em forte queda, que se acentuaram após o anúncio de Pequim: o barril do tipo Brent fechou em queda de 6,5%, enquanto o WTI, outra referência, desvalorizou 7,41%. Nas bolsas americanas, as ações também fecharam em queda: o S&P 500 recuou 5,97%, maior queda desde 11 de junho de 2020. O índice Dow Jones também registrou a maior desvalorização desde o meio de 2020, caindo 5,5%.

O Nasdaq, que cedeu 5,82%, teve a maior queda desde 16 de março de 2020, nos momentos iniciais da pandemia de covid.

Na Ásia, os investidores seguiram com a venda em larga escala de suas ações. A Bolsa de Tóquio fechou em queda de 2,75%, com perdas expressivas no setor automotivo: a Toyota perdeu mais de 4%, enquanto Nissan e Honda registraram baixas de mais de 5%. Seul perdeu 0,86%, e Sydney, 2,44%. Os mercados chineses permaneceram fechados devido a um feriado.

As perdas nas bolsas

Ásia

  • Japão: -2,75%
  • Hong Kong: -1,52%
  • Coreia do Sul: -0,86%

Europa

  • Frankfurt, Alemanha: 4,95%
  • Paris, França: -4,26%
  • Londres: -4,95%
  • Milão, Itália: 6,53%

As tarifas anunciadas por Trump, mais significativas do que o esperado, abalaram os mercados na quinta-feira. Wall Street registrou as perdas mais expressivas desde os primeiros dias da pandemia de covid-19, em 2020, e o dólar sofreu uma desvalorização.

— O dia 2 de abril continuará sendo um ponto de inflexão na história do comércio mundial. Os anúncios de Donald Trump desencadearam uma onda expansiva — disse John Plassard, especialista em investimentos da Mirabaud.

As novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos variam de acordo com os países, entre um mínimo de 10% e um acumulado de 54% no caso da China e de 46% para o Vietnã. Além de 34% da chamada tarifa recíproca, a China já era taxada em 20% pelos EUA, totalizando assim os 54%.

As medidas anunciadas por Trump também atingem aliados dos EUA como Japão (24%), Coreia do Sul (25%) e Taiwan (32%). Já os produtos procedentes da União Europeia serão submetidos a tarifas de 20%.

Outra consequência é o aumento da cotação do ouro, considerado um refúgio, que na manhã desta sexta-feira era negociado a US$ 3.101 por onça (31,1 gramas), levemente abaixo do recorde histórico registrado na quinta-feira. Consulte a seguir, pelo nome do país, a lista completa.  clique aqui para visualizar.

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