Estamos pagando caro pela nossa própria ignorância

Por Cristiano Will Lira em 23/01/2019 às 22:02:12

Não vou cansar de repetir: todos nós brasileiros somos responsáveis por tudo de ruim que está acontecendo no nosso Brasil.

Haja notícia assombrosa, que parece filme de terror. Uma verdadeira desgraça na vida de todos nós e quem mais sofrem com toda essa situação são os mais fracos, os mais pobres, os desempregados, a classe conhecida como excluída, à margem da sociedade, a subalterna, etc.

Estou me referindo à transmissão de governo, ou seja, saiu um governo chamado de golpista, entrando um governo chamado de direita, porém eleito democraticamente e isso deve ser considerado, mesmo que o resultado das eleições presidenciais está sob judice no Tribunal Superior Eleitoral, o que acredito que não vai dar em nada e o atual presidente poderá ter um mandato de 04 (quatro) anos.

Digo "poderá" no futuro porque tudo depende de como as coisas vão caminhar daqui pela frente. Porém, esse quase um mês de governo ainda não se vê nada de novo, a não ser os ministros, sendo a maioria vinda da carreira do Exército brasileiro.

É cedo, e muito, para dizer sobre esse governo e torço que possa trabalhar com afinco em favor das pessoas mais sofridas, que são as que mais precisam de políticas públicas de boa qualidade para todos.

É notório que a administração federal está paralisada diante do caso envolvendo o filho do presidente, Flávio Bolsonaro, que está sendo acusado de ter feito movimentação financeira atípica, ou seja, irregular, constatada pelo Coaf.

A todo instante, surge um caso diferente e a maior preocupação da cúpula da máquina estatal federal consiste na possibilidade de que possa haver ligação de Flávio com as milícias do Rio de Janeiro. 

Se o for, tal fato pode significar uma paralisia maior ainda a tomar conta do atual presidente, que disse ontem à imprensa "se o seu filho errou terá que pagar". Penso que o presidente se equivocou em comparecer na reunião de Davos, seminário anual realizado por capitalistas interessados apenas no dinheiro dos palestrantes.

A fala de seis minutos de Bolsonaro foi motivo de comentários negativos da imprensa internacional, alegando que o chefe da nação brasileira nada falou. Hoje, o presidente havia combinado uma entrevista, juntamente com os seus assessores, à imprensa estrangeira, para falar do "novo Brasil".

Ocorre que a tal entrevista não aconteceu e ninguém sabe explicar o que aconteceu. Possivelmente, o presidente resolveu cancelar a entrevista porque tinha certeza absoluta que quase todas as perguntas seriam direcionadas sobre o filho do presidente.

A equipe do presidente está desentrosada porque não tem experiência de administração junto à máquina estatal federal e o que se vê é que parece que só existem dois ministros aptos a falar sobre as propostas de mudar a triste realidade conjuntural: crise precedente em todas as áreas. Não adianta escolher Paulo Guedes e Sérgio Moro como principais articuladores do governo se todos os ministros deveriam se somar à equipe como uma orquestra afinada para mudar os rumos do Brasil.

Não podemos pensar que vamos arrumar o país em quatro (04) anos. Vamos levar uns cinquenta (50) anos para dar início às reais mudanças que poderão tirar o país desse inferno que parece que não tem fim. Se os eleitores do novo presidente pensavam que em pouco tempo haveria muita mudança no país está completamente equivocado porque o Brasil está falido, a máquina está enferrujada e esse é o motivo pelo qual as coisas não funcionam.

O maior culpado dessa crise sem fim é o próprio brasileiro, que não acredita no país, que torce contra, que odeia os políticos, que não sabe protestar, que não sabe discutir política com ninguém e faz comentário genérico sobre qualquer assunto, demonstrando total desconhecimento da realidade nacional.

O presidente precisa resolver urgente o caso de filho porque enquanto ele não falar a verdade dos fatos, o país ficará submerso nessa pendenga que só vai aumentar a crise institucional.

Se isso acontecer, certamente será difícil contornar a situação porque nós brasileiros não podemos ficar esperando o bonde passar porque nada vai muda para melhorar, de fato, essa triste situação a qual estamos pagando caro por nossa própria ignorância: não amar o Brasil de verdade. 

Fonte: Jornalista Ronan Almeida de Araújo é registrado profissionalmente na Delegacia Regional do Ministéri