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Política

Política 09/10/2018 09:01 Fonte: Época

Capacidade de construir consenso definirá vitorioso entre Bolsonaro e Haddad

Um quarto dos eleitores não votou nem no PSL no PT e se torna fundamental para a vitória

Os dois candidatos a presidente que vão ao segundo turno somaram 75% dos votos válidos. Em tese, um quarto dos brasileiros deve, no segundo turno, optar por um novo voto; e três quartos dos eleitores, também em tese, tendem a reafirmar o voto anterior. Assim o reposicionamento dos 25% dos eleitores que não votaram em Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) decidirá o pleito no segundo turno. Os 13% dos votos válidos destinados a Ciro Gomes (PDT) são o principal patrimônio em disputa.

Previsto como o mais fragmentado da história, o primeiro turno da eleição presidencial mostrou-se mais aglutinador do que anunciado. Forças políticas com histórico de representação elevada murcharam; caciques e dinastias políticas foram varridas do mapa eleitoral. Como não existe vácuo em política, candidatos fora do sistema e fora dos radares surgem como novidades reais do pleito deste domingo.

O primeiro turno pode ser analisado a partir de dois ângulos opostos. No modo pesselista, Bolsonaro tem de manter sua votação de 49 milhões (46% dos válidos) e ganhar pelo menos 6 milhões de votos, caso seja mantido o grau de comparecimento e votos válidos do primeiro turno. O segmento-alvo são os 27,6 milhões de votantes dos demais 11 candidatos. Para vencer, o pesselista precisa, se não perder votos, atrair 22% desses votos.

No modo petista de análise, Hadadd tem de acrescentar ao seu patrimônio de 31 milhões de votos mais 24 milhões de votos, ou seja, 87% dos eleitores que não votaram nem no PSL nem no PT. Como Ciro responde sozinho por 43% desses eleitores, uma aliança entre PDT e PT poderia reduzir significativamente a diferença em favor de Bolsonaro. No entanto, mesmo que Ciro transfira 100% dos votos para Haddad, o que é improvável, o petista ainda precisaria arrebatar 11 milhões de votos entre os eleitores dos demais candidatos.

O segundo turno é uma nova eleição, mas é também a continuação do primeiro. São ideias interdependentes. Em jogo estará a capacidade de cada candidato comunicar sua mensagem. Bolsonaro sai em vantagem. Precisa agregar menos eleitores do que o petista.

A principal característica do segundo turno é o estabelecimento de políticas e ideais consensuais, que sejam apoiadas por setores sociais amplos. É um dos grandes avanços institucionais da Constituição brasileira de 1988. As vozes que o contestam são aquelas ligadas a setores minoritários, à direita e à esquerda, porque o processo dificulta propostas radicais. Estimula a formação de maiorias estáveis.

Quando o chavão da análise eleitoral prega que o segundo turno é uma nova eleição estimula a afirmação de que o jogo seria zerado e dois candidatos partiriam do nada à busca de eleitores. É fato que nada obriga que um eleitor repita no segundo turno o voto que escolheu no primeiro. Mas estes têm se mostrado minoritários na história da eleição presidencial brasileira em dois turnos. Grande parte dos eleitores repete seu voto. Para estes, o segundo turno é uma continuação do primeiro, não uma nova eleição.

No primeiro turno, começaram a ser construídos os argumentos que levaram a escolha de um candidato e que levaram a rejeição de outro. No segundo turno, as opções são restritas a duas, levando à escolha excludente, comparativa, valorativa, em que o pior e o menos pior também passam a ser posicionamentos relevantes.

Quase 30 milhões de eleitores registrados se abstiveram de votar. Outros dez milhões decidiram votar em branco ou anular. A maior ou menor capacidade de um dos dois candidatos atrair esses eleitores refratários será decisiva para o pleito.

Esses 40 milhões de eleitores e os 27,6 milhões que votaram nos outros 11 nomes que agora estão fora da disputa formam o contingente-alvo de 67,6 milhões de brasileiros que, nas próximas três semanas de campanha, definirão quem será o novo presidente brasileiro.


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