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Jurídico

Juridico 01/06/2018 19:53 Fonte: Planeta Folha - Dr. Ronan Almeida de Araújo

Crise econômica afeta a vida dos advogados

A crise financeira que o país está enfrentando está afetando de cheio a vida dos advogados no Estado de Rondônia. Quanto maior a crise, menos honorários porque as pessoas não têm dinheiro e preferem usar o que têm para socorrer outras necessidades mais urgentes, como saúde, alimentação, escola, entre outros itens básicos de sobrevivência.

Até 2010 era possível fazer um contrato de honorários advocatícios onde o cliente conseguiria pagar a metade dos valores combinados e tratados no contrato profissional entre o constituído e o constituinte. Hoje as coisas se inverteram totalmente e para pior para o advogado, ou seja, é muito difícil se celebrar um contrato advocatício que o constituinte lhe pague a metade do preço acertado, ou seja, os contratos atualmente são considerados de “risco”: se ganhar leva; ser perder leva bronca do cliente.

Fico aqui imaginando os colegas que estão entrando no mercado de trabalho hoje. O número de inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil em Rondônia já chega a quase 10 (dez) mil, um crescimento assustador porque não há expectativa de superação da economia tão cedo e os números divulgados pelo governo federal para os próximos anos são desanimadores. Antes da greve dos caminhoneiros, os economistas projetavam um crescimento no mercado nacional algo em torno de 02% do PIB.

Agora que “esse terremoto” promovido pelos grevistas, o índice passou a ser projetado para 01%, isso se as coisas não pioraram daqui pra frente e se não houver mais turbulência no cenário fragilizado em todos os setores do Brasil, em especial aqui me refiro à vida financeira dos advogados, que estão passando pelas mesmas situações dos demais cidadãos dessa terra que parece ser de ninguém.

Os escritórios de advocacia estão virando uma “espécie de banco”, ou seja, as pessoas, na sua grande maioria, acham que um processo representa uma grana a mais, o que não é bem assim, pois a cada dia torna-se mais difícil ganhar uma causa.

O direito está caminhando para que o requerido tenha mais sucesso do que o autor. É só pegar o que fizeram com a legislação trabalhista após o dia 11 de novembro de 2017: o processo está mais para o patrão do que para o trabalhador, graça às manobras orquestradas pelos grandes grupos econômicos que dominam o Congresso Nacional, com bancadas de toda forma: da bala, da ruralista, dos religiosos, enquanto a dos trabalhadores está tornando-se menos pequena porque a impressão que a gente tem é que o eleitor não gosta muito de votar em trabalhador e prefere votar em candidato “engravatado”, o que faz a representatividade dos menos excluídos perder em quase todas as votações, pois o modo de votar no Congresso Nacional é parecido como “é dando que se recebe”.

Leiam as emendas parlamentares que é praticamente a legalização da corrupção nas duas casas “representativas” da sociedade brasileira. As leis estão constantemente mudando para piorar o direito dos mais fracos, dos espoliados, dos marginalizados, razão pela qual o cidadão fica com receio de buscar sua pretensão em juízo, o que leva a comprovar minha análise sobre o tema de que a cada dia fica mais difícil ganhar dinheiro com o exercício da advocacia.

Para sobreviver, os advogados precisam ir atrás do cliente, como vendedor de livros, por exemplo, diferentemente de anos passados, onde o causídico ficava sempre no escritório a espera do seu cliente para resolver sua demanda. A realidade faz  mudar o conceito de atuar profissionalmente do advogado, porém sua ética permanece mais forte do que antes, uma vez que a busca frenética por um bom advogado vem de passado, de seu histórico, de sua capacidade de resolver conflitos tão difíceis que parece que nunca serão resolvidos,  como por exemplo, casos de família, principalmente pensão alimentícia, um processo atrás do outro, sempre pela credora querendo receber seu crédito porque o devedor (pai) se recusa a pagar, forçando o patrocinador da caus a a pedir quase que de trimestralmente a prisão do contumaz.

A maioria dos estudantes que estão cursando direito está com os olhos vidrados em concurso, ou seja, seguir carreira no serviço público, certamente a procura de estabilidade no emprego, uma boa para quem pode contar com o ativo financeiro (grana) no final do mês: o dinheiro sempre depositado na  conta e pura alegria do barnabé, pois é só usar o dinheiro para ir atrás das  continhas.

Porém, os profissionais liberais, aqueles que não têm, cruz credo, misericórdia Senhor, quão dificuldade para conseguir uns trocados para pagar de tudo:  do salário da secretária a  despesas de combustível, oriunda de viagens intermináveis procurando o cliente para ser o seu intermediário no poder judiciário que passa pela mesma  crise dos  advogados, pois poucos  hoje acreditam no trabalho da justiça brasileira, o que dificulta uma melhor inserção do causídico na  carreira profissional para sustentar sua família, uma prioridade que vai ficando tão complicada para equilibrar as finanças  porque nem sempre aparece o resultado do trabalho do  advogado para conseguir cumprir as suas  obrigações de casa: pagar em dia as eternas contas. Mas no geral a vida do brasileiro está difícil para a 95% dos cidadãos, menos para a elite dominante que passeia no mundo das maravilhas às custas do contribuinte, diante de notícias diárias  de escândalos financeiros que viravam uma rotina no país.

Resultado: o país se tornou o mais desigual, enquanto os iguais se tornam mais fortes com desvio de conduta graça às manobras em curso pelos paladinos da moralidade brasileira, que levaram a nação a frangalho. Não vamos perder as esperanças. Haveremos de conquistar nossas posições firmes por um Brasil igual a todos, onde haverá emprego, serviço e atividade sobrando para aqueles que acreditam que somos mais fortes dos que os pessimistas. Estou aqui expressando minha opinião e respeito a visão antagônica do colega ou do leitor deste site sobre o tema ora abordado.

Dr. Ronan Almeida de Araújo é advogado e jornalista


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