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Economia

Leia! 16/09/2017 11:51 Fonte: Carros - IG

Fusão ou venda da FCA a chineses ou coreanos: bom para Fiat e Jeep no Brasil

Investimentos nas marcas seria intenso, canibalização de produtos seria mínima e empregos seriam preservados ou ampliados

O tema de AutoBuzz na semana passada foi a onda de rumores a respeito de iminente venda ou fusão do grupo Fiat Chrysler Automobiles (FCA) para grupos chineses ou para a coreana Hyundai. E, conforme prometido, a coluna de hoje vai analisar quais seriam as consequências disso, caso um desses cenários se tornasse realidade, sobretudo no no Brasil. 

Brasil. CENÁRIO 1: FUSÃO OU VENDA PARA OS CHINESES

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Segundo a publicação Automotive News Europe, há uma lista de marcas chinesas interessadas em comprar a FCA: Dongfeng Motor (já tem 30% da Peugeot-Citroën), Great Wall, Geely (dona da Volvo) e até a Guangzhou, parceira da FCA na China. Um dos obstáculos para a fusão da FCA atende pelo nome de Donald Trump. Para o Partido Republicano, seria temerário entregar uma das Big 3 americanas (no caso a Chrysler) aos rivais chineses, mesmo que a empresa já seja mais italiana do que americana.

 Além das diferenças ideológicas entre EUA e China, há a disputa comercial entre os dois maiores mercados do mundo. E ainda questões geopolíticas, potencializadas pela crise com a Coreia do Norte, ditadura belicista que fica no quintal chinês. Esquecendo essas questões, a aquisição seria um sonho para o governo chinês, que investe pesadamente na expansão de seus grupos empresariais. Com a FCA nas mãos, os chineses finalmente teriam grande penetração nos três mercados em que mais têm dificuldade hoje: Estados Unidos, Europa e América do Sul.

E no Brasil? As fábricas de Betim (MG) e Goiana (PE) seriam plenamente aproveitadas e receberiam investimentos pesados. A marca de picaponas Ram, com forte potencial para o agronegócio, poderia ter seus produtos produzidos em Pernambuco, por exemplo.

 Para a FCA seria interessante? Pagando-se o preço justo, sim. E, dizem as agências noticiosas, Maserati e Alfa Romeo ficariam fora da negociação, juntando-se à Ferrari na holding Exor, controlada pela família Agnelli, que fundou a Fiat.

 Para os empregados do grupo, incluindo Brasil, seria a garantia da manutenção de empregos e de investimentos pesados, já que não haveria conflitos de interesse ou canibalização de modelos, dada a ausência dessas marcas chinesas no país. As marcas, com seus DNAs, seriam preservadas, com destaque para Jeep, Ram e Fiat, as mais importantes da FCA. Bem pior seria uma fusão com grupos como Volkswagen ou GM, como já se cogitou.

 CENÁRIO 2: VENDA DA JEEP PARA OS CHINESES

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A chinesa Great Wall já manifestou publicamente o interesse na compra isolada da Jeep. E isso é o que de melhor poderia acontecer com a marca. Embora os investimentos mais relevantes dos últimos anos da FCA tenham sido para a Jeep, ela daria um grande salto com os pesados aportes financeiros chineses.

 Seria algo interessante como aconteceu com a Volvo quando saiu das mãos da Ford, que a jogava para baixo, e passou para o controle chinês, que resgatou o DNA sueco e vem colhendo frutos globalmente. A Jeep é maior e mais valiosa que a Volvo, e se tornaria rapidamente líder global de SUVs, em volume e qualidade.

 A fábrica de Pernambuco seria ainda mais uma referência global e um polo exportador para vários países, não só da América Latina. A gama nacional não ficaria restrita à dupla Renegade e Compass, e haveria fortes investimentos em novos motores, inclusive elétricos para médio e longo prazo.

O problema é que o negócio não parece muito interessante para a FCA, que venderia a joia da sua coroa e ficaria pouco atrativa para uma fusão ou venda das outras marcas. Já falamos na semana passada que a Jeep sozinha vale mais da metade do valor de todo o Grupo. Para os acionistas da FCA, é melhor passar adiante o pacote completo.

 CENÁRIO 3: VENDA OU FUSÃO COM A HYUNDAI-KIA

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Segundo algumas agências internacionais, o namoro da FCA com chineses seria apenas uma estratégia para assustar as agências reguladoras dos EUA, para que elas vissem com bons olhos o real objetivo dos acionistas: um casamento com a gigante coreana Hyundai (também dona da Kia), com o controle majoritário dos asiáticos.

 Em termos geopolíticos, seria mais fácil dobrar a equipe de Trump. Afinal, a Coreia do Sul é a grande aliada dos EUA na região que vem sofrendo ameaças nucleares da Coreia do Norte. A Hyundai é um exemplo de sucesso recente. Até os anos 90, seus carros eram motivo de piada no mundo. Com forte engajamento do povo coreano e total ajuda do governo local, a Hyundai passou a assustar as marcas mais tradicionais da Europa e dos EUA.

 Mas a corda da Hyundai foi esticada ao máximo, e é difícil que ela cresça ainda mais sem uma parceria como essa aventada com a FCA. Os riscos de ataques dos vizinhos do Norte às fábricas da Hyundai e da Kia também preocupam, e seriam desastrosos para os planos globais do grupo. Os danos seriam minimizados com mais fábricas fora daquela região.

 O fato é que a fusão da FCA com chineses ou coreanos criaria um dos cinco maiores conglomerados do setor automotivo, fazendo frente a VW, Renault-Nissan (agora com Mitsubishi), GM e Toyota, e com novos lances mais cedo do que se imagina.


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