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Brasil

Polícia 09/01/2018 00:46 G1

Perito diz que ação de PMs após balear e matar jovem pode atrapalhar perícia

Gilvan Nolêto comentou imagens de militares mexendo no corpo de Wilque Romano e colocando objetos em uma sacola. PM diz que ele estava armado, mas versão é contestada por testemunhas.

O perito criminal Gilvan Nolêto analisou as imagens registradas por um morador logo o jovem Wilque Romano da Silva, de 19 anos, ser baleado e morto pela Polícia Militar, em Formoso do Araguaia. De acordo com ele, a ação dos PMs da Força Tática, que aparecem no vídeo mexendo no corpo com luvas e colocando objetos em uma sacola, pode induzir a perícia ao erro.

"Os objetos têm que ficar ali no local, nada pode ser modificado. A posição das coisas não pode ser modificada, porque isso é cometer um crime. Porque induz o perito ao erro", disse ele.

As cenas foram registradas por uma testemunha do caso. O jovem morreu após levar um tiro nas costas que atingiu uma das costelas e perfurou o pulmão, de acordo com o laudo do Instituto Médico Legal. A PM afirma que a vítima estava armada, mas a versão é contestada por testemunhas e pela família.

"Só tava com isqueiro, com a carteira e com o celular dele", diz uma mulher que presenciou os tiros e que afirma que o jovem não tinha nenhuma arma. "Os policiais desceram do carro, colocaram luvas nas mãos e tiraram a carteira e o celular dele. Aí eles vinheram, colocaram outro objeto em cima dele, que não era dele, numa sacola branca. Colocaram em cima dele. Não dava pra identificar o quê que era", conta outra testemunha.

A Polícia Militar disse que instaurou uma investigação interna para apurar o caso. A Polícia Civil também está investigando e começou a ouvir as testemunhas e os policiais nesta segunda-feira (8). Enquanto isso, os militares envolvidos na operação seguem trabalhando normalmente, nas ruas de cidades da região sul do Tocantins.

O caso

O vídeo mostra a ação de policiais militares momentos após balear e matar Wilque Romano da Silva, de 19 anos. O caso aconteceu em Formoso do Araguaia, na última quarta-feira (4). A polícia afirma que ele apontou uma arma para a viatura antes de ser baleado, mas a família negou que o jovem fosse dono da pistola. O médico legista João Luis Baris de Lima, que fez o exame no corpo, disse que o tiro foi dado pelas costas.

As imagens mostram Wilque no chão e um policial militar da Força Tática abaixado. O PM usa luvas descartáveis. Ele pega algo e entrega para o colega que está em pé. É possível ver que tem um terceiro PM atrás.

A filmagem sai deles e quando volta só é possível ver um policial em pé. Logo aparece outro com uma sacola de plástico. Ele se aproxima do corpo e não dá para ver o que faz. Em seguida, caminha para a viatura com a sacola e volta sem nada.

A PM apresentou uma arma como sendo do jovem. Para os parentes e amigos dele é preciso esclarecer muita coisa. "Para mim foi tudo armado, tudo combinado, um ato de covardia", opina uma mulher que preferiu não se identificar.

"Não é certo isso, pegar sacola, usar luva. Alguma coisa eles fizeram de errado", questiona outra mulher que também preferiu não se identificar.

Wilque foi perseguido pela polícia, segundo a família e amigos, depois de empinar uma motocicleta. De acordo com eles, mesmo após o jovem pedir para não atirarem, ele foi atingido pelas costas. O caso deixou muita gente indignada.

"Acho uma covardia porque se queriam prender, prendessem ou fizessem alguma coisa, mas não precisava matar porque ele era um trabalhador", diz uma mulher que preferiu não se identificar.

Resposta da PM

A PM informou que instaurou um inquérito policial militar para apurar as circunstâncias do fato. Questionada sobre o fato dos policiais terem usado luvas para retirar pertences da vítima, disse que se trata de equipamento de proteção individual para evitar que o militar entre em contato com os fluidos corporais de outras pessoas em ocorrências que tenham sangue ou secreções.

Sobre a necessidade de esperar a perícia para mexer no corpo, a PM declarou que quando ainda há vestígios de sinais vitais, o policial deve realizar a verificação inicial e acionar o socorro como foi feito, segundo informaram os militares que atenderam a ocorrência. Ainda de acordo com eles, o corpo foi levado pela ambulância para receber atendimento médico.

Quanto ao exame realizado no IML que indica que o tiro foi dado pelas costas, enquanto PMs alegam que o jovem estava armado e depois de reagir é que foi baleado, a polícia disse que para avaliar a circunstância, deve ser aguardado o laudo oficial da Polícia Científica que será juntado ao Inquérito.

Já sobre o vídeo, a PM afirmou que as imagens farão parte da investigação em andamento e o posicionamento institucional será dado após a conclusão do inquérito.


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