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Artigos 01/06/2018 11:10 Fonte: Planeta Folha - Dr. Ronan Almeida de Araújo

A vergonhosa cobertura jornalística à greve dos caminhoneiros

Estou acompanhando a greve dos caminhoneiros pelo Brasil iniciada há onze dias e tenho feito comentários sobre o assunto e compartilhado a alguns grupos nas redes sociais quanto à minha opinião do movimento paredista que mobilizou o país todo, inclusive ontem o instituto de pesquisa Datafolha informara que 87% do povo brasileiro apóia a greve. É preciso pontuar um detalhe que deve chamar a atenção dos motoristas de caminhão que labutam para sobreviver sobre um fato ocorrido quando a categoria, quase unânime, decidiu aderir pelo afastamento da ex-presidente Dilma do comando da nação. O que pesou nessa vontade da categoria foi o fato de a Rede Globo praticamente conduzia o processo de impeachment (saída) de Dilma, um golpe orquestrado pelo PSDB (Aécio Neves), com participação decisiva da cúpula do MDB, tendo à frente Michel Temer, o maior interessado pela derrubada dela como chefe da nação brasileira. Agora, os próprios caminhoneiros estão sentido na pele o gosto amargo de uma imprensa totalmente parcial que a todo instante faz matéria colocando o povo contra os caminhoneiros. Porém, agora não é momento de relembrar o passado e falar do presente e porque não fazer algumas considerações dessa greve que para a Rede Globo acabou ontem, porém para alguns líderes do movimento ela continua. 

IMPRENSA TOTALMENTE PARCIAL

 Não podemos deixar de observar que o grupo da família Marinha que comanda várias emissoras de rádio, TVs, jornais, revistas, entre outros, é um o terceiro do mundo, perdendo apenas para duas empresas internacionais, uma americana e a outra inglesa. Desde o início, a Rede Globo (principalmente a Globo News), canal fechado que está dando cobertura exclusiva ao movimento grevista dos caminhoneiros, está passando informações mentirosas, contraditórias e ambíguas sobre a paralisação. Ontem mesmo à noite, na entrevista coletiva que o ministro de Segurança Nacional, Raul Jungmann (PSB-PB), dissera que o rapaz que tinha matado o motorista em Vilhena estava sendo “ouvido exatamente naquele momento” sobre o episódio, inclusive um dos líderes do movimento. Pura mentira. Após a fala do ministro, vários veículos de comunicação se dirigiram até a cidade para registrar a cena do motorista de 70 anos de anos que veio a óbito na chegada de Vilhena, em razão de ter levado uma pedrada no crânio. Hoje, os jornais estão informando que entrevistaram o delegado local que o infrator ainda não havia sido identificado para ser interrogado pela polícia judiciária. A tática da Rede Globo para tentar acabar com a greve foi colocar o povo contra os grevistas, a começar pelo preço da gasolina, que continua o mesmo nas bombas, apenas o diesel que sofreram variação de preço, passando a ser adquirido, a partir de amanhã, por R$ 0,46 (quarenta e seis) centavos a menos. O governo federal combinou com a direção da Rede Globo para não reduzir o preço da gasolina para que o povo fique contra os caminhoneiros, o que está dando certo às pessoas despolitizadas, que não enxergam manobras perpetradas por pessoas do governo que se articulam contra a sociedade, da mesma forma como fizeram contra Dilma, que sofreu um duro golpe com apoio maciço da classe dos caminhoneiros. Quantas vezes vi no pára-choque de vários caminhões mensagens contra a ex-presidente. A Rede Globo é contra a greve porque ela está preocupada com o seu faturamento com propagandas, o que nós da imprensa chamamos de “merchandising” (citação ou aparição de determinada marca, produto ou serviço, sem as características explícitas de anúncio publicitário, em programa de televisão ou de rádio, espetáculo teatral ou cinematográfico, etc). A Rede Globo tem uma dívida bilionária com o governo federal porque não paga impostos regularmente, o que faz com que a emissora se comprometa com o presidente da República para dar “uma ajudinha” no sentido de contar o movimento grevista nacional dos caminhoneiros. 

OUTROS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO 

Outros veículos de comunicação também são e estão contra a greve, como a Band, o SBT, a Record, entre outras menos importantes. Na Band, apenas Ricardo Boechat e José Luiz Datena têm total liberdade para expressar sua opinião sobre qualquer emissora, pois o contrato que eles celebram com a emissora da família Saad. Outros veículos de comunicação ligados a emissoras de rádios e jornais também estão fazendo cobertura contra a greve dos caminhoneiros. Apenas jornalistas que não têm vinculo de emprego com grupos poderosos de comunicação estão escrevendo matérias algumas neutras, outras a favor, pequenas contra, a grande maioria está ao lado dos caminhoneiros nessa grande mobilização nacional por justas reivindicações que os motoristas que estão fazendo para pressionar o governo central a valorizar esses profissionais que sempre taxados de “obesos, mulherengos, sedentários e alienados”. A paralisação é um grande exemplo que o movimento vem dando à sociedade, porém algumas situações precisam ser analisadas pelas verdadeiras lideranças para que não haja erros de comando e que no futuro eles sejam corrigidos, como por exemplo, saber escolher o presidente da associação ou federação, para que não seja pelego, como o presidente da Abcam, (PSDB), que atuou contra os  caminhoneiros autônomos, chamando, inclusive, alguns de anarquistas e interessados em apenas derrubar o presidente Michel Temer. Esses falsos líderes não saem do Palácio do Planalto, têm emprego para a família toda, recebem propina institucional para desmobilizar o movimento para ficar atrelado às ordenas palacianas. Seria interessante que cada Estado tivesse uma representante dos caminhoneiros, uma entidade sem fins lucrativas, voltada exclusivamente para defender os reais interesses do movimento, e, principalmente, que esses novos líderes não sejam remunerados para ficar à frente das associações localizadas em cada Estado federativo. O dinheiro muda e faz a cabeça de qualquer pessoa que não esteja preparada para enfrentar a tirania e as malandragens perpetradas pelos governantes, porque eles têm a mídia para divulgar suas ações,  como por exemplo, ontem na divulgação da morte do caminhoneiro em Vilhena, um senhor de 70 anos de idade (exemplo) que estava levando madeira para o Mato Grosso, porém sua viagem foi interrompida diante de ação individual de grevista que precisa ser identificado pela liderança do movimento e apresentá-lo à autoridade policial (delegado de polícia) para se eximir de qualquer responsabilidade que venha a existir daqui pra frente, ou seja, não é por causa de um cidadão que o movimento vai retroceder na luta contínua por melhores condições de trabalho e emprego nessa atividade considerada a de maior risco entre outras. 

FUTURO DO MOVIMENTO 

As lideranças do movimento precisam se preparar daqui pra frente porque muitos vão cobrar de vocês porque só irá existir redução no preço do óleo diesel e não porque não na gasolina, no gás, no álcool, entre outros produtos derivados do petróleo. As informações devem ser claras e objetivas para que a opinião pública não pense que vocês foram “traíra” de só lugar por aquilo que mais lhes interessava: a redução do preço do óleo diesel, que começa a vigorar a partir de amanhã. O presidente da Petrobrás, Pedro Parente (PSDB), disse que a política de preço da companhia não vai mudar, o que significa que vai vim aumento nos combustíveis em pouco tempo, ou seja, a diminuição conquistada com a greve, será compensada com novos aumentos que a direção da maior estatal brasileira irá informar à sociedade, talvez daqui uma semana, como é do conhecimento de todos, a política da companhia é a liberalidade nos preços, ou seja, acompanhará o mercado internacional em relação à variação de valor nos combustíveis, porque, para eles, que dita a regra de preços “é o mercado de fora”, uma vez que não somos auto suficientes para produzir petróleo em larga escala para servir a todos os consumidores nacionais. 

AS MULTAS SALGADAS 

Ontem escrevi um artigo sobre este assunto, porém é importante ressaltar que as multas aplicadas pela Polícia Rodoviária Federal contra pessoas físicas e jurídicas que participaram da greve são extremamente salgadas. O ministro do STF, Alexandre de Moraes, criado no ninho dos tucanos paulistas, concedeu uma medida cautelar de urgência contra quem desrespeitou sua ordem de paralisar com a greve, ou seja, quem continuou com a greve levou muitas altíssimas, chegando a Advocacia Geral da União a dizer que o montante até agora é na ordem de R$ 141 milhões de reais. Essas pessoas que sofreram as multas terão 15 dias para pagá-las, sob pena de penhora de ativo financeiro (dinheiro por meio do sistema chamado de Bacenjud) ou de bens (veículos pelo outro sistema chamado de Renajud), onde do gabinete do ministro no STF ele oficia ao Banco Central para indisponibilizar (seqüestrar) esses bens para garantir o recebimento das multas. Para evitar que vocês que foram multados percam seus bens, precisam derrubar a medida liminar concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, bastando, para tanto, contratar um advogado em direito constitucional que entrará com um mandado de segurança cumulado com efeito suspensivo para que as multas não sejam cobras agora imediatamente, porque a decisão monocrática do ministro está valendo. Ela terá que submetida ao plenário da casa para então ser confirmada ou não. Se for confirmada, então vira mérito, coisa julgada, havendo, pois, possibilidade de ser revista por meio de embargo, ou declaratório ou infringentes. No último, para ter êxito, é necessário que haja dois votos divergentes, uma decisão recente do STF, que antes bastaria um voto contrária para a admissibilidade do remédio constitucional ser apreciado pelos onze (11) ministros que compõem a corte superior. Dois ministros já manifestaram contra a greve, mesmo sendo impedidos: Celso de Mello e Gilmar Mendes, que foram flagrados no plenário da casa conversando sobre a greve, depois que havia um intervalo de uma sessão os dois foram ouvidos falando porque o microfone estava aberto. Outra dica que dou a vocês é pressionar o Congresso Nacional com invasão de caminhoneiros em Brasília para que os congressistas mudem a política de preço da Petrobras, uma vez que somente com leis ordinárias será possível rever a posição do presidente Pedro Parente, que disse que não aceitará que esse “prejuízo” em torno de R$ 10 bilhões de reais em razão da redução do óleo diesel seja repassado à companhia porque, para ele, não se admite renúncia de receita uma vez que a Petrobrás uma companhia de economia mista, ou seja, de pessoas públicas e particulares. É cediço que algumas coisas de errado ocorreram com a greve, como a morte, parece, de duas pessoas, apedrejamento em veículos, porque ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer qualquer coisa em virtude da lei, ou seja, participar de uma greve é um ato espontâneo e não obrigatório. Necessário se faz identificar os baderneiros para que eles sejam conhecidos pelas autoridades policiais no sentido de tomar as iniciativas que desejarem, como ocorre em jogo de futebol, quando um torcedor invade o campo e a diretoria do time identifica o infrator e leva-o ao tribunal que funciona no próprio estádio para se eximir de qualquer responsabilidade, como por exemplo, a perda  de um mando de campo, jogo sem torcedor, etc. No geral, a greve ficará marcada como uma das melhores que o povo viu e o movimento apenas começou a sacudir o país para tirar do poder essa gentália que sabe dilapidar o patrimônio público. Que nas próximas eleições, o movimento dos  caminhoneiros faça debate,  convidando todos os candidatos a presidente, para que a categoria tenha maior consciência em votar no candidato que ele achar melhor pelo país, porém não se deve deixar de focar a neutralidade no movimento para que se aparelhe a um  candidato par evitar o abandono de um sócio. Estigmatizar o movimento como apoiador de Bolsonaro à presidente da República seria uma das principais metas dos caminhoneiros, pois a infiltração de políticos no movimento só irá trazer discórdia uma vez que a política brasileira ao invés de somar, destrói, o que é lamentável. A política do movimento deve ser a do bem  comum, sem partido político, sem envolvimento com qualquer governante, ou seja, imparcialidade total irá transformar a categoria uma das  mais fortes no Brasil.

Dr. Ronan Almeida de Araújo é advogado e jornalista


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