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Artigos 13/01/2018 22:00 Fonte: Planeta Folha - por Dr. Ronan Almeida de Araújo

Porque a candidatura de Bolsonaro fracassou - por Dr. Ronan Almeida de Araújo

Primeiramente, quero aqui expressar meu total respeito àqueles que têm manifestado apoio à candidatura de Bolsonaro à presidência da República neste ano. Espero que continuem acreditando na possibilidade de que ele possa ter sucesso no pleito sucessório de Temer e não desistam jamais de continuar apostando que Bolsonaro seja eleito presidente do Brasil. Porém, tenho minha opinião divergente de vocês e vou manifestar aqui porque a candidatura de Bolsonaro fracassou, mostrando uma série de erros na condução de campanha dele que começou no ano passado.

POLÍTICO POLÊMICO 

Bolsonaro é semelhante ao estilo de Ivo Cassol: polêmico ao extremo. É realmente o candidato com maior aparição nas redes sociais e sabe usar muito bem os meios de comunicação de massa para difundir suas idéias. Mas a contínua e diária aparição dele nas redes sociais são desgastantes e aos poucos as pessoas vão tendo certo sentimento “de novo esse cara falando de política”. Bolsonaro adota como bandeira de campanha o combate a violência e a população clama por socorro às autoridades que dêem um jeito no crescimento dos meliantes que parecem biscoito: “mata três hoje e amanhã tem dezoito”. Bolsonaro conhece muito bem a área da segurança porque foi cabo do Exército e ajudou o governo militar no combate “aos terroristas da esquerda”. É compreensível o sentimento do povo que não suporta mais ver tanta gente inocente ser morta por causa de um celular de R$ 100 reais. A culpa da banalização da segurança é dos governos federal e estaduais, que não têm interesse de promover investimento nesse setor porque não dá voto, como por exemplo, a construção de novos presídios, que estão superlotados e que tornaram o Brasil a terceira nação com maior número de detentos no mundo, sendo o primeiro os EUA e em segundo a Rússia. 

INÍCIO DE CAMPANHA PRECOCEMENTE 

Bolsonaro foi o primeiro candidato a se lançar como pretendente a suceder à cadeira de Michel Temer. Já no início de 2017, a imprensa vinha divulgando o seu nome como forte candidato e o seu perfil foi bem aceito nacionalmente devido às redes socais que começaram a compartilhar as idéias “do candidato da extrema direita” capaz de vencer a esquerda liderada por petistas, dos comunistas e dos movimentos sindicais ligados à CUT, CONTAG, entre outros voltados às atuações sociais. Toda campanha antecipada é sofrida. A tática hoje é se lançar candidato no mínimo uns cinco meses antes das eleições para evitar o desgaste que os adversários promovem para “queimar” os concorrentes. 

POLÍTICO “FICHA LIMPA” 

Um fator que ajudou muito Bolsonaro a alavancar seudesejo de chegar à presidência da República está ligado ao homem público “ficha limpa” que foi bastante difundido nas redes sociais no sentido de levar ao conhecimento da população que o cabo do Exército “nunca” se envolveu com atos ilícitos, corrupção e malversação do dinheiro público. Porém, de domingo para cá, o jornal Folha de São Paulo iniciou uma série de reportagem falando do patrimônio de Bolsonaro e de seus filhos, algo em torno de 16 milhões de reais. Ontem foi divulgada mais outra matéria dando conta de que Bolsonaro emprega uma pessoa no Rio de Janeiro como assessora parlamentar que não presta serviço ao deputado federal, isto é, mais outro caso de funcionário fantasma que existe aos milhares por esse país. Hoje saiu mais outra matéria com uma informação dada pelo próprio Bolsonaro afirmando: “Como eu estava solteiro naquela época, esse dinheiro de auxílio moradia eu usava para comer gente”. Até agora não entendi esta frase de comer gente. Expressão desta natureza embaralha a cabeça do eleitor, que não vê o político brasileiro como uma pessoa séria na sua atividade como homem público. Outras frases que repercutiram muito mal nas redes sociais foram aumentando o desgaste da imagem de Bolsonaro, como por exemplo, sua afirmação sobre os afrodescendentes (quilombolas). Outras manifestações ditas por Bolsonaro que trouxeram mais desgaste em sua imagem estão relacionadas à comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros). Esta comunidade entre tantas é certamente a mais forte e uníssima em desfavor da candidatura de Bolsonaro e ela representa uma fatia considerável do eleitorado brasileiro que faz a diferença em um processo muito difícil que é esse da sucessão presidencial, com muitos candidatos pretendentes que vão enfrentar uma antipatia popular que na grande maioria não pretende votar em ninguém. 

SEM PARTIDO 

Bolsonaro exerce mandato como deputado federal sem partido e recentemente anunciou que pretende filiar-se ao PSL, o que fez com que muitos deputados do próprio partido iniciassem debandada à procura de outros partidos visando à reeleição nesse ano. Hoje mesmo o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero do governo Michel Temer disse que pretendia ingressar no PSL para disputar uma vaga à Câmara Federal, porém resolveu procurar outro partido porque não gostou de que Bolsonaro pretende sair candidato a presidente pelo mesmo partido que do ex-ministro queria se filiar. Bolsonaro coleciona um monte de inimigos dentro do Congresso Nacional. Apenas 06 parlamentares ligados à bancada da bala apóiam o nome de Bolsonaro como candidato presidencial. Sem apoio político ninguém consegue ganhar eleição. Há necessidade de fazer coligações, muitas vezes espúrias, para somar os partidos e aumentar o tempo na TV para ampliar a divulgação do candidato e somar as forças em torno do nome que sobreponha aos demais concorrentes. Bolsonaro não tem habilidade política para convergir. Para divergir tem bastante. Basta falar de um assunto que começam as críticas sobre seu jeito de enxergar a conjuntura nacional, como por exemplo, na área economica, assunto que ele mesmo não conhece e a imprensa aproveita a oportunidade para sempre iniciar uma entrevista perguntando: “O senhor pode explicar aos nossos telespectadores que é macroeconomia”. Em resposta dura, Bolsonaro revida dizendo que “quem vai falar sobre isso será meu ministro da Economia porque eu entendo mesmo é de como enfrentar bandido”. 

CONCLUSÃO 

Por estas razões, entendo que Bolsonaro fracassou no seu projeto de chegar à presidência da República. Na linguagem dos cientistas políticos, isso significa que seu nome “derreteu-se antes da hora”. Quem é Bolsonaro certamente vai discordar dos meus argumentos e é bom que isso aconteça porque o debate sucessório presidencial precisa ser democrático no campo das idéias, ou seja, quanto mais gente dando “palpite” melhor para entender um pouco mais sobre política, assunto este que vem tendo bastante aceitação junto ao público em geral, que começou a se interessar este assunto depois dos escândalos do mensalão e do petrolão. Logo virá outro escândalo com a marca terminativa de lão. É de suma importância que os adeptos das redes sociais promovam debate de forma educada, responsável e respeitosa, para atrair mais gente disposta a gostar da política, que é arte de fazer o bem a todos, combatendo a politicagem, que é a soma de bandidos que sugam o dinheiro público em detrimento da nação brasileira, que precisa ser comandada por pessoas sérias e comprometidas no combate permanente à corrupção, que virou metástase, espalhado em todos os órgãos públicos, sejam ele municipal, estadual e também federal.

Texto: Ronan Almeida de Araújo é proprietário do site Giro Central e jornalista registrado no Ministério do Trabalho sob o número 431/98/RO.


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