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Artigos 13/11/2017 14:55 Fonte: Planeta Folha - por Prof. Polini

Amazônia: Hiléia Ameaçada - por Prof. Polini

É de conhecimento a movimentação dos nossos “representantes” no Congresso Nacional, para alteração nas leis atualmente vigentes que tratam da questão ambiental, um tema complexo e que requer uma precaução em relação às medidas a serem tomadas em relação a tal. Mas porque nossa Hiléia está ameaçada?

Antes de argumentarmos sobre essa ameaça, é pertinente entendermos o que é hiléia. Hiléia que deriva do termo grego hilaea, que significa mata virgem, foi o termo utilizado pelo polivalente cientista alemão Alexandre Von Humboldt , em sua viagem pela América do Sul entre 1799 e 1804 onde houve o contato in-loco com nossa abençoada floresta. Considero interessante o termo “mata virgem”, dado por Humboldt à floresta amazônica, porque hoje quase 220 anos após, se perguntarmos a alguém ou nos mesmos nos indagarmos se podemos considera - lá virgem, teremos opiniões conflitantes, pois ao mesmo tempo que aqueles que tem conhecimento mais aprofundado sobre o tema, iremos responder que não é mais, outros leigos devido ao grande número de informações sobre a sua área, por ser a maior floresta tropical do planeta e outros fatores naturais, sociais e econômicos que a mídia  passa irão afirmar que essa imensa floresta ainda é intocada(virgem).

Essa imensa região, foi a última a ser povoada de forma intensiva, já vindo ocorrer em meados do século XIX inicio do século XX, mas sabemos que antes desse período de intensificação do fluxo de pessoas para cá, devido a busca das riquezas naturais aqui existentes, posso citar por exemplo os ciclos da borracha, recurso esse que foi explorado ao extremo dando lucro absurdo aos barões da borracha, é interessante deixar registrado que eles (barões da borracha), contribuíram para o surgimento de novos núcleos urbanos na região e desenvolver alguns dos já existentes como Manaus e Belém. Os impactos causados na floresta nesse período são considerados ínfimos. Mas em meados do século XX, a intenção do governo brasileiro de povoar essa parte do imenso território brasileiro, primeiro na figura de Getúlio Vargas com sua política nacionalista, que durante a Segunda Guerra Mundial, assinou acordo com os EUA para o fornecimento do látex (borracha) a indústria automobilística norte-americana devido aos países asiáticos, principais fornecedores estarem sobre controle do Japão. Para o acordo sair do papel, Vargas incentivou a migração para os seringais de migrantes, que na sua maioria eram nordestinos, que após o auge desse ciclo, os que sobreviveram na sua maioria permaneceram na área de seringais e outros se deslocaram para os centros mais desenvolvidos da região. 

Seguindo o raciocínio, chegamos agora à figura de Juscelino Kubitchesk que modernizou a indústria brasileira e procurou integrar o país de norte a sul, principalmente com a abertura de grandes rodovias, entre as quais, cito a polêmica Transamazônica e a nossa BR 029 (atual BR 364), que trouxe desenvolvimento para a região, mas também trouxe destruição para as florestas, pois grandes áreas de florestas foram desmatadas para a construção das estradas e para a produção agropecuária. Produção agropecuária que teve um incentivo maior durante a década de 1970, com campanha pesada de marketing por parte do governo federal para atrair pessoas para a região norte, nessa parte podemos destacar o então território de Rondônia (atual estado), que se desenvolveu, é fato, mas as custas da destruição de forma descontrolada da floresta, da prática da agricultura e pecuária extensiva, sendo que para esta última é necessário grandes áreas, tal fato não ocorreu apenas em Rondônia, mas em todos os estados da região. 

Na década de 1970, o mundo já discutia com grande fervor as questões ambientais, pois os efeitos do capitalismo selvagem já estavam indo além do esperado por todos, no nosso país a questão ambiental até então sem importância nenhuma para os governantes, começa a ser discutida internamente, com grande influência dos resultados da Conferência das Nações Unidas sobre o Homem e o Meio Ambiente realizada na cidade sueca de Estolcomo, levou a elaboração de leis por parte dos políticos brasileiros, que endurecia as regras de exploração do solo, tanto o urbano quanto o rural. Mesmo assim a destruição da Hiléia continuou e continua até hoje. 

Todo este contexto aqui apresentado, só retrata o que ocorreu com nossa região até a década de 1980, o que ocorreu nas décadas seguintes(1990 - 2000), houve o aumento na preocupação com os problemas ambientais, tomou-se cuidado (na teoria) em criar leis que realmente protegessem as nossas florestas, para se não impedir, pelo menos diminuir o ritmo de destruição, mesmo assim os problemas persistem. Pergunto: “A nossa Hiléia um dia será tratada como realmente deve ser?” 

Colaborador neste Artigo;

Petrônio Cesar de Andrade – Licenciado em Geografia

Professor da Rede Estadual de Ensino de Rondônia


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