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Artigos 19/09/2017 17:59 Fonte: planeta Folha - por Dr. Ronan Almeida de Araújo

Como resolver conflitos familiares - por Dr. Ronan Almeida de Araújo

No início dos meus trabalhos como advogado, isto a partir de 1999, passei muito apuro para resolver conflitos profissionais envolvendo clientes, quase sempre causas relacionadas a divórcio, separação, guarda de menores, pensão de alimentos, direito de visita, partilha de bens, entre outros assuntos familiares. Naquela época por ter pouca prática na área do direito, pois a faculdade não tinha muita preocupação com isso, até porque o que mais interessa aos professores era mais assunto de ordem teórica, tive muitos problemas com meus clientes para sanar essas questões sobre “briga de família”. Mas o tempo foi passando e aos poucos, fui adquirindo experiência e esses casos para mim não eram difíceis de ser resolvidos, pois aprendi que o mais importante quando ocorria uma discussão de um casal, era primeiramente ouvir os que eles tinham para falar, reivindicar, desabafar, cobrar e muitas vezes os ânimos se exaltavam, mas com minha intervenção, sempre era possível resolver os conflitos familiares de forma amigável e outros mais complexos, se transformaram em litigioso, ou seja, os casos eram levados ao judiciário para a solução dos problemas existentes em juízo, o que demoraria até cinco anos, uma demora injustificável e sempre trazia transtorno para as partes, como stress, aborrecimento, constrangimento e cansaço, sempre com vontade de desistir daquela demanda, pois quanto mais o caso se arrastava na esfera judiciária, mais problemas existiam entre o casal e seu patrono.

Aprendi muito de lá para cá, graças a Deus, pois muitas vezes pensei em desistir da profissão, porque achava que não conseguiria conviver por muito tempo exercendo a atividade de advogado, que, para mim, é, sem sombra de dúvida, a mais espinhosa e árdua, entre todas as existentes. Os problemas familiares de hoje são muito diferentes de anos atrás, quando achava mais fácil de solucionar a relação conflituosa entre o casal. Hoje o problema mais difícil de lidar na área familiar é quando há traição no lar, o que chamamos de infidelidade conjugal, quando o homem ou a mulher descobre que alguém está cometendo adultério. Quando um casal se gosta de verdade, mas um está traindo o outro, cabe ao advogado usar seu poder de persuasão para apaziguar a situação, chamando os dois para uma conversa séria e botar fim naquela situação, iniciando assim o novo relacionamento, com o comprometimento de ambos a se respeitar para que fiquem juntos enquanto Deus permitir. 

Vejo hoje que a questão da traição no lar é um caso que me preocupa demasiadamente como advogado, pois estou exausto de ver tantas manchetes diariamente de homem matando mulher, mulher matando homem, por ciúmes, certamente uma doença que tem cura, bastando para tanto que o casal deixe de brigar e um começar a confiar no outro. O ciúme vem da falta de confiança e quando ocorre a vontade do homem em ter posse da mulher ou vice-versa. A posse é quando o homem acha que é dono da mulher e a mulher acha que também é dono do homem. Exemplo: quando uma mulher vai ao shopping fazer uma compra, o homem diz à mulher assim: “se sair de casa, quando chegar, vai levar umas porradas até desmaiar”. A mulher, por sua vez, quando pensa em ter posse do homem, faz chantagem semelhante, como por exemplo: “se você for ao bar beber de novo, quando chegar, vou quebrar seus dentes, para aprender a me respeitar”. E assim vai. Não existe amor num ambiente assim. Não existe a presença de Deus em uma família que briga e tem ciúmes, pois o Espírito Santo não age no lar quando as pessoas preferem viver brigando do que resolver seus problemas buscando sempre o diálogo, a melhor ferramenta para a solução dos conflitos familiares. 

Parece que quanto mais velho a gente vai ficando, mais a gente aprende com a realidade, com o tempo e também com os momentos atuais, pois os problemas familiares de hoje estão também relacionados aos filhos, a relação dos pais com eles e muitas das vezes, se torna difícil até mesmo o pai ou mãe ajudar quando um filho passa por problemas de ordem amorosa, sexual e até mesmo familiar, como por exemplo, um filho que não gosta da mãe ou do pai. Como resolver essa situação? Unir a família e fazer reuniões com os filhos para saber deles como ajudá-los. Como pai, acho que nunca conversei com os meus filhos sobre sexo, ainda não criei coragem e existe uma barreira que me impede de dialogar com eles sobre virgindade, masturbação, puberdade, relação sexual na juventude, como transar pela primeira vez, entre tantos assuntos polêmicos e confesso que não tive a coragem de enfrentar essas situações com os meus filhos, mas como advogado tenho conversado demasiadamente com os meus clientes sobre esses assuntos, porém o mais difícil é quando encontramos um pai conservador que se recusa a falar com os seus filhos sobre esses casos e então não aceita dialogar e começa a ter preconceito, principalmente quando descobre que a filha está grávida e a invés de ajudá-la, resolve expulsá-la de casa, como se fosse uma penetra do lar, uma pessoa estranha à família, aumentando consideravelmente os problemas da filha que naturalmente passará por depressão, levando-a ao vício, à prostituição e tantos problemas sociais que estamos cansados de ver na conjuntura brasileira. 

Os advogados que atuam na área de família precisam ser antes de tudo um profissional capaz de oferecer aos seus clientes confiabilidade, credibilidade e tranquilidade, para que possam acreditar no seu trabalho e tê-lo como parceiro, um amigo e um companheiro para que aqueles problemas que estão vivendo, venham a ter solução com sua atuação como responsável a dar-lhes uma luz, que antes não havia, a luz da esperança e na capacidade de que, com harmonia, tudo é possível ser resolvido porque a vontade de superação precisa ser maior do que os obstáculos existentes do dia-a-dia familiar. Um bom advogado que atua nessa área familiar precisa conhecer um pouco de psicologia, pedagogia, psiquiatria, religião, assistência social, pois todas estas ciências ajudam um bom profissional a conhecer melhor os problemas de seus clientes. Um advogado compreensivo possui dois corações: um da parte autora e o outro da parte requerida, porque precisa ter a sensatez de enxergar que você está no meio do “fogo cruzado” como bombeiro e não como “incendiário”. O advogado “bombeiro” é aquele que age com prudência, com elegância, com convencimento e com brilhantismo para buscar a saída que ajude seus clientes a continuarem morando juntos e não ao contrário, ou seja, o bom advogado nunca deseja que seus clientes busquem o divórcio ou o famoso “vou dar um tempo no relacionamento...” O advogado incendiário é aquele que coloca pimenta no casal, achando que quanto maior o conflito, maiores suas chances de ganhar mais honorários. Infelizmente, existe muito advogado que age dessa forma e certamente a escola que o ensinou não foi aquela que abriria as portas do sucesso profissional, porque aquele advogado mais no dinheiro e não na solução dos problemas de seus clientes, exerce uma atividade comercial, diferentemente daquele que pensa numa carreira de uma pessoa que age com ética e sempre como sujeito capaz de oferecer a eles sua capacidade não mercantilista e sim humanística. 

Dr. Ronan Almeida de Araújo é advogado em Costa Marques e São Miguel do Guaporé.


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