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Entenda! 05/09/2017 18:45 Fonte: Planeta Folha - por Dr. Ronan Almeida de Araújo

Seja advogado: a profissão que melhor remunera

Se você acha que é fácil ser advogado, então faça vestibular para o curso de direito, termine-o, seja inscrito na OAB e inicie suas atividades advocatícias. Você vai ter que se “ralar” para ganhar dinheiro como profissão nos cinco primeiros anos de trabalho, porque terá que criar sua clientela, mostrar que é competente, ético e responsável, para atrair um número cada vez mais para o seu escritório no sentido de que venha a conseguir sobreviver dessa que é, para mim, uma das sublimes profissões.

Escolhi o curso de direito por acaso. Morava em 1995 na cidade de Ji-Paraná e resolvi abraçar um novo curso universitário em minha vida, pois já tinha concluído filosofia, na cidade de Goiânia e então foram cinco anos de muita luta para chegar até a conclusão do curso. Sem condições financeiras, tive de fazer malabarismo para pagar as mensalidades, comprar livros, gastar com despesas de alimentação na faculdade, com xerox de livros, com passagens de ônibus, entre tantas despesas oriundas para investir no curso para que no futuro próximo começasse a advogar. 

Lembro-me muito bem quando era difícil pagar as mensalidades da faculdade. Muitas vezes, pensava em desistir e sem não fosse minha mãe, certamente não tinha concluído o curso de direito na Ulbra, porque ela me ajudava bastante para custear as despesas do curso, pois fazia salgado para eu vender em salas de aula para os meus colegas de classe, pois se não fosse assim, não tinha dinheiro para honrar meu compromisso financeiro com a instituição universitária. Fui membro da segunda turma de direito na Ulbra e estudávamos em um prédio antigo, que não tinha ar-condicionado, apenas ventilador, o que nos obrigou a fazer uma campanha pela climatização das salas de aula para poder suportar o calor infernal, que nos impedia de concentrar e aprender os ensinamentos dos nossos mestres. A campanha deu certo o reitor da época, “sensibilizou-se” com no ssa união e então começamos a frequentar salas de aula com clima mais agradável. 

A criação do Centro Acadêmico da Ulbra também foi uma ótima iniciativa nossa, que aos poucos foi tendo corpo e mobilizou os estudantes para que tivéssemos um local para discutir nossas reivindicações e aspirações como estudantes, através do centro, que promoveu várias atividades pedagógicas com palestrantes extremamente competentes que honraram com suas presenças nos ensinando e nos dando dicas para conhecer melhor o ramo do direito. A impressão que tenho é que quando o estudante não participa da vida da universidade, sem presença em movimentos, não há sentido e não estimula para continuar a luta pela aprendizagem e, principalmente, para concluir o curso de opção e futuramente o seu pleno exercício profissional, para colocar em prática as atividades pedagógicas que transformam a pessoa a valorizar a vida, a respeitar o próximo, a compreender melhor o mundo e sem dúvida alguma conseguir um “pé-de-meia” para sobreviver, criando sua família e dando exemplo a seus filhos para seguir se espelhando nos pais. 

Não posso deixar de relatar aqui o momento mais triste como estudante. Foi quando os coordenadores da colação de grau da minha turma marcaram o dia em que íamos ser diplomados e todos teriam que usar beca, sapato novo, em dia com as mensalidades da faculdade e também pagar as despesas de formatura. Se foi difícil pagar as mensalidades, imagina você ser diplomado com mais despesas em suas “costas”. Assim era demais. Não estava em dia com o pagamento de mensalidade na faculdade e me impediram de colar grau, mas mesmo assim fui à diplomação, porém não me chamaram para compor a turma que ia receber o “canudo” de conclusão de curso. Achei injusto não ter sido chamado e subi ao palco e fiquei ao lado dos meus colegas e fiz de conta que estava tudo bem e que lamentavelmente não me entregaram o “canudo” e foi algo que me deixou constrangido, principalmente pelo fato de que meus pais e meus convidados estavam na universidade e presenciaram aquela situação, da qual preferi não fazer qualquer comentário, pois o que me interessava era que havia conseguido concluir o meu curso de direito e bola para frente, com exame de OAB e depois começar a trabalhar para sobreviver. Foi o que fiz e até hoje estamos na luta para ser mais um advogado entre tantos para conquistar seu espaço nesse mundo tão concorrido como é o nosso. 

Mas o que me leva a escrever este artigo com o título “Seja advogado: a profissão que melhor remunera”,é uma publicação que li ontem no site de MIGALHAS com o título: “Juiz fixa honorários advocatícios de R$ 7,00 (sete reais) em ação procedente sobre inexistência de débito”. A dita publicação faz referência a decisão do magistrado Dr. Paulo de Tarso Carpena Lopes, da comarca de Alto Petrópolis, Estado do Rio Grande do Sul, nos anos 0001042-46.2017.8.21.2001, em que figura como autor a pessoa de CARLOS RIBEIRO DA ROSA, e como requerida a empresa CLARO S.A, quando o juiz pontuou em sua sentença o seguinte para “justificar” a conquista pelo advogado de ganhar R$ 7,00 (sete reais) de honorários sucumbenciais: “Condeno a demandada no pagamento das custas processuais e honorários advocatícios que fixo, considerando o trabalho efetuado pelo procurador da autora, em 20% do valor atualizado da causa, forte no art. 82, §2º, do NCPC”. 

Por derradeiro, é importante frisar que quando o juiz concede, a título de honorários sucumbencias, a importância de R$ 7,00 (sete reais), pelo trabalho desenvolvido em um processo de indenização, você não pode desanimar diante da falta de respeito da autoridade ao seu trabalho como advogado. O advogado não vive só de honorários, de dinheiro, de alvará, de sucumbências, de vitória, mas também o prazer de atender bem seu cliente, fazendo com que ele acredite em você e, principalmente na justiça, para que seus direitos sejam reconhecidos como cidadão. Advogar é estar junto com o cliente acompanhando-o e dando-lhe toda orientação possível para que no final o resultado seja o melhor para aquele que confiou no seu trabalho se expresse desta forma: “obrigado, doutor, o senhor me fez acreditar que é possível pensar que ainda existe advogado que honra sua profissão e você é um deles”. 

Dr. Ronan Almeida de Araújo é advogado e jornalista. 


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