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Artigos 27/08/2017 16:48 Da redação- Planeta Folha - Dr. Ronan Almeida de Araújo

Forte Príncipe da Beira: não me abandone - por Dr. Ronan Almeida de Araújo

Estive quarta-feira passada, à tarde, no Forte Príncipe da Beira, a trabalho. Visitei vários moradores, como pescadores, quilombolas, aposentados, entre outros. Fiquei por lá umas cinco horas.

Estive conversando com eles sobre essa que é a maior riqueza arqueológica do Estado de Rondônia: o Forte. Adoro-o. Quando cheguei ali, me concentrei: como eram as pessoas que viviam naquele lugar há mais de 300 anos? É pura nostalgia.

Não dá para acreditar que há muitos anos atrás, moravam ali pessoas que jamais poderíamos acreditar que futuramente seria possível ver uma construção que os engenheiros de hoje não conseguem explicar.

Mas não podemos deixar de dizer que aquele local hoje está abandonado. Uma pena. Não encontrei um guia que me informasse sobre aquela arquitetura. Não encontrei um museu. Não encontrei gente que me explicasse como foi possível há quase 400 anos, houvesse um construção monumental em plena selva amazônica.

Me disseram que o Exército faz de vez em quando poda da grama, mas não disponibiliza militares para mostrarem aos visitantes essa construção que ainda é motivo de várias indagações. Não quero usar este texto para promover críticas àqueles que são encarregados de zelar pela conservação e visibilidade do forte.

Minha cultura é diferente dos que não sabem enxergar quão a importância do local na cultura do povo de Rondônia. Porém, não consigo entender que muitos políticos usam as imagens do forte para fazer propaganda enganosa mostrando à sociedade uma realidade que não é levada ao conhecimento da população do nosso Estado: o forte está abandonado, pouca gente se preocupa com ele, o poder público não o valoriza, muita demagogia e muita mentira sobre esse monumento que levaremos anos a explicar como foi possível uma edificação em plena selva amazônica de uma arquitetura que nos intriga: inacreditável.

Temos em Costa Marques duas belezas: o Rio Guaporé e o Forte Príncipe da Beira. Ambos são mostrados de forma capenga, sem entusiasmo, sem vontade e sem interesse cultural. Quando vou ao forte, tenho que passar de frente à um lixão, cercado de urubus, que não consigo entender como é possível continuar minha peregrinação à procura de aventuras culturais que me levam a entender e conhecer um pouco da história da nossa querida Costa Marques.

Há momentos que chego a chorar tamanha a minha revolta porque as políticas públicas do município não vão pra frente. O que está acontecendo? Somos inúteis ou incapazes de fazer do município um dos principais de Rondônia? Acho que somos impotentes e que muita gente não deseja se envolver em transformar essa realidade em dizer somente uma frase: "Costa Marques, porquê?

Dr. Ronan Almeida de Araújo. Advogado. Jornalista. Filósofo e poeta.


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