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Artigos 11/05/2017 10:51 Da assessoria

O Grande Museu Egípcio do Cairo

O Museu do Cairo, um dos mais importantes e famosos do mundo, que atualmente ocupa um palácio neoclássico construído entre 1897 e 1901, na famosa Praça Tahrir, no centro do Cairo, terá uma nova sede no Platô de Gizé. O objetivo é aumentar o seu espaço de exposição e proporcionar melhores condições de arquivo e pesquisa para as suas mais de 150 mil peças.

Em 2014, segundo o Ministro de Antiguidades do Egito de então Mohamed Ibrahim, a terceira e última fase da construção do novo museu, que terá vista para as grandes pirâmides, já estava bem adiantada e o chamado Grande Museu Egípcio, - Grand Egyptian Museum GEM - (www.gem.gov.eg), deveria ser inaugurado em agosto de 2015.  O projeto foi criado pelo polêmico arqueólogo Zahi Hawass, conhecido pelo seu comportamento de estrela midiática, em 2002; em 2003 aconteceu um concurso internacional para selecionar o melhor projeto. O vencedor foi o arquiteto Shih-Fu Peng, da Heneghan Peng Architects, um escritório baseado em Dublin e a pedra fundamental foi colocada em maio de 2005. Mas em 2015, data para entrega final de todo o projeto, o novo Ministro de Antiguidades Mamdouh al-Damaty informou que a nova data de entrega seria 2018, sendo que ainda não será o projeto completo, mas parcial, sem explicar o que significa isto. Este anúncio foi feito durante a First International Tutankhamun Conference ocorrida em maio de 2015, que deveria ocorrer na Ala Tutancâmon que deveria estar pronta, segundo o projeto original, para abrigar a fabulosa coleção de riquezas encontrada no vale dos reis, em 1922, por Howard Carter. Esta coleção é constituída por mais de 3 mil peças, entre elas tronos de ouro, roupa interior e inclusive um preservativo de linho, para o faraó gozar a vida eterna em segurança.

A ideia do projeto é poder abrigar melhor a grande coleção do museu, que tem obras inestimáveis como imagens de escribas, de faraós de vários reinos, rainhas como Nefertiti, Neferteri, mobiliário, joias, barcos, papiros, uma sala com as múmias reais e um sem fim de itens. Em 2006 um colosso de Ramsés II, que tinha sido retirado de Memphis nos anos 1950 e fora colocado numa praça do Cairo, foi levado para a área do museu e ficará no hall de entrada, quando este for inaugurado.

Em janeiro de 2011 um movimento popular que foi chamado de Primavera Árabe tomou as ruas e principalmente a Praça Tahrir, onde estão os principais prédios públicos. Protestos contra o governo de Hosni Mubarak, que já estava há três décadas no poder, surgiram e ficaram fora de controle. Neste cenário de revolta, bombas incendiárias destruíram a sede do Partido Democrático Nacional (de Mubarak), situado exatamente ao lado esquerdo do Museu do Cairo, a comunidade internacional temeu pelo destino das obras, que pareciam estar em um local de grande fragilidade. No final de janeiro alguns manifestantes inflamados chegaram a pular as grades de proteção do museu, mas a população fez um cordão de isolamento e abraçou o edifício sede de sua memória faraônica ancestral.

Até a queda de Mubarak não houve tranquilidade entre os amantes da cultura e do patrimônio histórico da humanidade. Muitos se lembravam do saque feito ao Museu Nacional do Iraque em Bagdá, em 2003, logo depois da queda de Saddam Hussein, que perdeu mais da metade de seu acervo; e da agressão maior, a destruição dos budas de Bamiyan, no Afeganistão, em março de 2001. Com a renúncia de Mubarak e a destituição de seu protegido do Ministério de Antiguidades, Zahi Hawass, em fevereiro de 2011, o Museu do Cairo foi deixado em paz pelos radicais.

Quando estive no museu do Cairo em janeiro de 2012, um ano depois dos acontecimentos, ao ficar ao lado do pequeno chafariz que tem no centro exemplares da famosa planta papiro, pude ver o edifício ao lado (sede do partido de Mubarak) ainda com as marcas do incêndio que o destruiu, e que por sorte poupou a humanidade de uma perda imensa, não atingindo o museu.

No final de 2014 foram levados para a reserva do Grande Museu do Cairo, que permanece em construção, muitos itens da coleção de Tutancâmon e outros itens do acervo de arquivo. Quanto estiver terminado o complexo do museu terá um prédio para o museu, uma área de vivência, com vários restaurantes e cafés, um centro de conferências, um centro de educação e um museu especial para as crianças. A fachada principal do complexo terá uma parede de 45 metros de altura e 600 metros de comprimento em alabastro transparente. A população já apelidou o projeto de a quarta pirâmide. O complexo ainda terá um parque o Land of Egypt Park, nas margens do Nilo, onde os visitantes poderão andar entre plantações dos produtos que o Rio Nilo proporciona ao Egito, com suas cheias fertilizantes.

O local escolhido para o Grande Museu Egípcio está somente a dois quilômetros das pirâmides, entre o deserto e a cidade. Segundo os criadores do projeto o museu será um portal entre o passado (o deserto) e a modernidade (a megalópole) do Cairo de 10 milhões de habitantes. O chamado Platô de Gizé fica nos limites da antiga cidade imperial de Memphis, onde ainda pode-se visitar sua imensa necrópole; o conjunto das três pirâmides (Quéops, Quéfren e Miquerinos), que possuem as necrópoles de nobres, sacerdotes e agregados. Ao lado da grande pirâmide há o Museu do Barco Solar, que exibe um dos barcos do Faraó Quéops, que tem mais de 2.500 anos de idade e foi descoberto em 1954. E a maior joia do platô, a Esfinge, com 60 metros de comprimento e 20 de altura, num corpo de leão e cabeça humana, sua idade é controversa, mas deve ter em quatro e seis mil anos.

Esperamos que este imenso sítio cultural que deverá começar a funcionar em 2018 (ou data posterior) traga para os monumentos e obras, um maior cuidado na sua exibição e conservação. Em janeiro de 2012 pude comprovar como muitos dos objetos do Museu do Cairo estavam cobertos de poeira e vários não tinham placa de identificação. As pirâmides estão invadidas por hordas de ambulantes esfomeados que perturbam a visita dos turistas, e o pior, a esfinge estava coberta de pombos e o produto de suas refeições desenhava linhas brancas, marrons e negras no rosto milenar. Que os 550 milhões de dólares que foram investidos neste incrível megaprojeto, digno da herança dos antigos reinados egípcios, traga uma melhor condição de visita, pesquisa e de transmissão desta cultura que merece todos os esforços que a humanidade possa ter para que seus traços nunca sejam esquecidos.

João Eduardo Hidalgo é Doutor em Comunicação pela Universidade de São Paulo e pela Universidad Complutense de Madrid. Professor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp de Bauru.


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