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Agronegócios

Rondônia Rural Show 29/05/2017 11:43 Texto: Vanessa Moura - Fotos: Ésio Mendes - Secom

Comitiva boliviana visita agroindústrias rondonienses que servirão de modelo para o País

O beneficiamento da produção do campo é considerado um passo fundamental para a economia de Rondônia, que tem um agronegócio forte. O governo trabalha intensamente para incentivar produtores a fechar o ciclo da cadeia produtiva através da instalação de agroindústrias, e os avanços nesse setor chamaram a atenção da comitiva boliviana que visitou a 6ª Rondônia Rural Show, no município de Ji-Paraná.

Depois de conferir as inovações tecnológicas e sustentáveis em exposição nos 50 hectares da feira de agronegócio de Rondônia, a comitiva formada por autoridades e profissionais do setor produtivo e de ensino da Bolívia foi acompanhada por representantes da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e da Superintendência de Desenvolvimento do Estado de Rondônia (Suder) em visita a duas agroindústrias locais.

O interesse da comitiva em saber como funciona as agroindústrias em Rondônia e os impactos positivos na economia é justificada porque Rondônia avançou muito nos últimos anos em legalização e incentivo às agroindústrias através do Programa de Verticalização da Pequena Produção Agropecuária (Prove), criado através da Lei nº 2412/2011. Já são mais de 600 agroindústrias legalizadas.

‘‘Teve esse estouro de agroindústrias em Rondônia justamente devido ao Prove que é um programa de incentivo onde o produtor não precisa ter CNPJ. Ele vende com a nota de produtor, o que faz com que o imposto seja bem menor, e ainda a assistência é gratuita, via governo através da Emater, Seagri e dos municípios’’, afirmou o coordenador de agroindústrias da Seagri, Henrique Fernandes.

Para Fernandes, o beneficiamento da produção do campo também cumpre um papel social ao evitar o êxodo rural. ‘‘O jovem que iria para a cidade, acaba ficando na área rural, junto aos pais, para ajudar no desenvolvimento das agroindústrias, e é um negócio muito lucrativo que agrega valor à matéria-prima’’, contou.

É a mandioca virando farinha, o leite se transformando em queijo, as frutas em polpas congeladas, e é desta forma que a produção do campo chega mais longe e move a economia do estado com geração de emprego e renda. ‘‘Nós estamos vendo os produtores prosperando, os que tinham a aprovação do SIM [Serviço de Inspeção Municipal], passaram para o SIF [Serviço de Inspeção Federal], ou seja, vendiam em nível de estado e agora vendem em nível de Brasil’. As poupas de frutas de Rondônia, por exemplo, estão chegando a São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus. Isso é motivo de muito orgulho porque um produtor que tinha uma renda de cerca de R$ 2 mil por mês chega hoje a R$ 40 mil. São resultados como esse, segundo ele, que mostram que Rondônia está no caminho certo e os bolivianos também sabem disso e querem levar o que é praticado em Rondônia como referência para o País deles”.

COMPARTILHANDO CONHECIMENTO

‘‘Nós queremos ajudar aos nossos colegas da Bolívia a criar um programa de incentivo também, principalmente em relação à produção e boas práticas’’, disse o coordenador.

Para a adjunta da Seagri, Mary Braganhol, o interesse dos bolivianos pela forma de funcionamento das agroindústrias em Rondônia é um reconhecimento do forte trabalho feito nesse setor pelo governo.

A secretária destacou, ainda, que assim como Rondônia já faz, os bolivianos querem comprar a produção das agroindústrias para aproveitamento na merenda escolar. Ela ainda explicou que existe uma lei federal que determina que no mínimo 30% da agricultura familiar para a merenda escolar. ‘‘Em algumas escolas de Rondônia chega a representar 50%’’, revelou.

‘‘Esse é o segundo ano que eles participam da Rondônia Rural Show e eles vieram dessa vez conhecer as experiências das agroindústrias do estado porque eles estão trabalhando a implantação de um programa similar ao nosso na Bolívia, e o nosso governador tem interesse de compartilhar esse conhecimento, essas experiências que deram certo’’, considera.

E uma delas é do produtor rural Wilson  Mantovanelli  proprietário de uma agroindústria localizada na linha 90, lote 2, gleba 5 do projeto Vida Nova, a cerca de 35 quilômetros da área urbana de Ji-Paraná. O que começou com uma pequena produção em uma parte da casa, hoje conta com uma estrutura própria e moderna para o beneficiamento de polpas de frutas que não só aproveita a produção da propriedade de Wilson como também de produtores vizinhos.

O produtor é beneficiado com assistência gratuita da Emater. ‘‘A Emater Rondônia está inserida no lote do seu Wilson há muitos anos. Ele começou com o incentivo do plantio do cupuaçu e vendo a aptidão dele fizemos todos os projetos e buscamos a legalização da agroindústria dele que tem Selo de Inspeção Federal do Ministério da Agricultura, o Mapa’’, disse a engenheira agrônoma da Emater de Nova Colina, Edilene Silva, revelando ainda que até as sementes das frutas são aproveitadas. ‘‘Ele vende para uma empresa de Ji-Paraná que transforma em óleo’’, disse.

São poupas de graviola, abacaxi com hortelã, acerola, goiaba e outros sabores conhecidos na Amazônia. ‘‘Toda produção é vendida’’, orgulha-se Wilson, que conta ainda que cerca de 80% da produção vai para a merenda escolar e as demais para hotéis e restaurantes da região. A produção é de 150 a 200 quilos por dia.

A comitiva se despediu de Wilson e seguiu para agroindústria do distrito de Nova Colina, que trabalha com o beneficiamento do leite, transformando em queijo. ‘‘O produtor tem, em média, 20 vacas produzindo 13 litros por dia cada uma. Esses cerca de 300 litros são transformados em queijo coalho diariamente’’, explicou a secretária.

O produtor recebeu equipamentos do estado para o beneficiamento da produção de leite. ‘‘O pasterizador, a embaladeira a vácuo e todo equipamento para o trabalho na agroindústria foram colocados aqui pelo governo através do programa Prove’’, disse a adjunta da Seagri, destacando ainda que o queijo é aproveitado na merenda escolar.

INCENTIVO

Diante dos exemplos bem sucedidos de agroindústrias de Rondônia, a comitiva boliviana sinalizou que o modelo será importante para o desenvolvimento do País vizinho.

Entre os integrantes da comissão estavam o governador do Departamento de Pando, Luís Adolfo Flores; o assessor geral do município de Bolpebra, Fabio Jorge Alba Bastos; o assessor do reitor da Universidad Amazónica de Pando, Lizardo Melgar; o secretário de Agricultura do setor produtivo do governo de Pando, Edgar Polanco Tirina; e os deputados de Pando, Roy Madima e Eduardo Flores.

‘‘Esse trabalho do governo de Rondônia, de incentivo às agroindústrias, é um exemplo para a Bolívia, onde nós temos muito para fazer e avançar’’, avaliou o governador de Pando.

‘‘Nós temos na Bolívia um programa também de incentivo à merenda escolar e estamos investindo muito na agricultura familiar e temos muito interesse nessas experiências que têm dado certo para levar para a Bolívia em relação à industrialização dos produtos derivados do leite, das frutas que servem não só para a merenda escolar, mas também para atender à demanda do mercado. Queremos usar o modelo de projetos de Rondônia, saber o tipo de maquinário que é usado e os custos, e essa visita é muito importante’’, avaliou o assessor geral do município de Bolpebra.

‘‘Fomos convidando a estar aqui pelo Confúcio Moura [governador de Rondônia] e Daniel Pereira [vice-governador] e estamos construindo um relacionamento mais estreito, de irmãos, de vizinhos, e a primeira experiência é essa que vai nos permitir levar para nosso povo mais produtividade, mais graninha no bolso, para acabar com a pobreza que ainda existe em nosso povo. Vimos dois projetos muito interessantes, e aproveitamos para convidar vocês para ir até nosso País para nos ensinar, transmitir conhecimentos que adquiriram com a experiência que vocês têm’’, disse o assessor do reitor da Universidad Amazónica de Pando.

‘‘Primeiro quero agradecer ao governador e parabenizar por esta feira de grande magnitude. É muito importante para nós ver este avanço nesta produção agrícola, e esta visita às agroindústrias é uma experiência que nos permite replicar com nossos produtores’’, ponderou Edgar Polanco Tirina.


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